quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Capítulo 76

Chay narrando

Mel estava grávida. Eu não sabia se eu sorria, se eu chorava. Eu estava feliz, estava muito. Mas também estava preocupado. Mel estava em coma induzido, sua situação era estável. O médico havia dito que ela ficaria assim por um tempo, pois estava sedada, e precisava se recuperar da operação delicada por qual havia passado.

Depois de mais algumas horas de espera, foi autorizada a nossa entrada no C.T.I, onde ela estava. Os pais dela foram os primeiros a entrar. Eu entraria depois, queria entrar sozinho. Eu precisava ficar sozinho com a Mel.
Passado alguns minutos, os pais dela saíram do quarto. A mãe de Mel estava com uma expressão triste no rosto, assim como o pai dela. Ver a filha naquela situação não devia mesmo ser fácil. Apesar das noticias serem boas, ainda sim ficava aquela duvida na mente. O acidente havia sido terrível e por Deus não havia acontecido o pior. Como o médico mesmo disse, fora um milagre. Nem o bebê ela havia perdido.
- Nós vamos embora, Chay. Estamos muito cansados. – a mãe de Mel falou assim que saiu do cti. Dava para ver mesmo a expressão de cansaço no rosto deles.
- Tudo bem, eu vou ficar aqui com ela. – vi uma surpresa no rosto deles. Eu também estava cansado, mas não sairia do lado dela nem um só minuto;
- Vai mesmo ficar? Você não quer ir em casa, tomar um banho, comer algo? – a mãe dela perguntou calmamente.
- Não, não. Eu estou sem fome. Não quero sair do lado da Mel. – falei. A mãe de Mel passou a mão em meu rosto e deu um leve sorriso. Eu também sorri, apesar de ser um sorriso fraco.
- Minha filha tem sorte em ter você. – ela falou por fim. – Eu vou pedir para Arthur trazer umas peças de roupa pra você e algo para você comer. Comida de hospital não é nada boa. – dei mais uma vez um riso fraco.
- Tudo bem. Mas vocês podem ficar tranquilos, eu vou ficar aqui com ela até ela sair daqui. – garanti a eles.

Eles foram embora e eu entrei no local onde estava Mel. Aproximei-me mais até que cheguei bem perto de seu leito. Mel estava toda entubada, com um aparelho que a ajudava a respirar. Podia ver seus batimentos, numa tela que ficava ao lado de sua cama. A enfermeira que estava por ali, ao me ver saiu do quarto e me disse que qualquer problema era só eu apertar o botão que ficava ao lado da cama.
Ela também tinha alguns arranhões pelos braços. Estava com o curativo na testa também. Meu coração doía ao vê-la assim. Eu queria estar no lugar dela, eu não suportava ficar ali parado sem poder fazer absolutamente nada para mudar aquilo.
Naquele momento eu só sabia orar, rezar, e pedir a Deus para ficar no controle da situação. Eu teria que ser forte, todos nós teríamos que ser forte agora. Nossa força tinha que ser passada para Mel, para que o mais rápido possível ela ficasse bem.
Coloquei minha mão sobre sua barriga, e alisei. Acho que eu tinha esperança de sentir algo, mesmo sabendo que era cedo demais para isso. Ela estava grávida há apenas dois meses. Será que ela ainda não sabia? Provavelmente não, pois senão haveria me contado. Ela me deu dois filhos, porque sim, Marina era minha filha, eu me sentia pai verdadeiramente.
Peguei na mão de Mel com força. Estava um pouco fria, mas o seu toque causou arrepios em mim. Como sempre, desde a primeira vez que nos tocamos. Eu sorri ao lembrar do nosso primeiro encontro, foi um dia um pouco tenso, pois Marina estava passando mal, e Mel completamente desesperada. Mas correu tudo bem, graças a Deus.
Quando me dei conta já estava chorando novamente. Eu não conseguia ter o controle de minhas lagrimas. Eu segurava a mão de Mel ainda com força e pude jurar que ela retribuía o meu aperto. Eu devia estar ficando meio louco, era impossível ela ter apertado minha mão.
Eu estava com o meu corpo cansado, um pouco de sono, mas não iria embora. Sentei-me ao lado do leito de Mel e ali fiquei.



quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Capítulo 75

Chay narrando

Chegamos ao hospital rapidamente. Em menos de cinco minutos, Mel já passava pelas portas do hospital. Ela foi levada com toda a pressa para dentro. Eu não pude entrar com ela. Eu estava desesperado, não conseguia me acalmar.
Os enfermeiros também me levaram para dentro, só que na direção oposta na qual Mel entrou. Eles me sentaram em uma cadeira e me fizeram tomar um comprimido.

Os minutos se passaram e eu fui ficando mais calmo, efeito do remédio. Mas meu coração ainda estava despedaçando. Eu estava arrasado, destruído e me sentindo culpado. Foi então que eu me lembrei de que teria que avisar à família de Mel o que havia acontecido. Como eu contaria para todos o que havia acontecido? Eles acreditariam em mim? Eu estava mal, não sabia como contaria isso.

Resolvi ligar para a Lua, amiga e cunhada da Mel. Contei tudo a ela, desde o começo, sobre a armação e enfim o acidente. E ela acreditou em mim, isso me deu um pouco de esperança, eu não estava sozinho nessa.

Os pais de Mel chegaram ao hospital desesperados, assim como Arthur, Lua e Marina. Assim que me viu, Marina pulou no meu colo. Ela estava com o olhinho vermelho e inchado de tanto chorar. Meu coração mais uma vez se partiu. Ela deitou a cabecinha em meu ombro e chorava, chegava a soluçar.
- Fica calma meu amor, vai ficar tudo bem. – eu tentava consola-la.
- Papai, minha mãe vai morrer? – ela perguntou pra mim. Eu tive vontade de chorar. Eu não sabia o que responder para ela. Eu não sabia nada, eu não havia recebido nenhuma noticia desde que Mel entrara para o hospital.
- Ela não vai morrer filha, ela vai ficar bem. Vamos rezar por ela.
- Eu vou pedir para o meu anjinho proteger minha mamãe. – a essa altura eu já não conseguia mais controlar minhas lagrimas. Marina voltou a deitar a cabeça em meu ombro, mas não parou de chorar. Eu passava minha mão por suas costas e também voltei a rezar.
Toda fé era necessária naquele momento. Eu pedia a Deus para deixar Mel comigo. O que seria de todos nós sem ela? Eu não queria nem imaginar isso.

O tempo só passava e nós só recebemos a noticia de que Mel precisaria passar por uma cirurgia de urgência e precisavam da autorização da família para realiza-la, pois seria um procedimento de risco. Os pais dela autorizaram e nos coube esperar até o fim.

A operação de Mel, durou cinco horas. Marina não queria ir embora de maneira alguma. Lua e Arthur tentaram leva-la, mas ela não desgrudou de meu colo um só minuto. Tentamos oferecer algo para ela comer, mas ela se recusava, dizendo estar sem fome. Eu também estava, não conseguia passar nada pela minha boca.

Eu estava completamente nervoso e ansioso. Marina acabou adormecendo em meu colo, então Lua e Arthur a levaram embora. Marina não podia ficar muito tempo por aqui, não faria bem a ela, ela precisava descansar, precisava de seus remédios. Os pais de Mel ficaram comigo no hospital. Lua havia contado a eles toda a historia e eles pareceram acreditar em mim, menos mal.
Eu não precisava ser julgado agora. A pior parte seria convencer a Mel que tudo isso foi uma armação e que eu nunca trairia ela.

Depois de mais algum tempo, o médico veio até nós com um enfermeiro. A expressão dele era séria, não conseguia decifrar nada.
- Vocês são os acompanhantes da Melanie? – ele perguntou.
- Sim. – eu respondi de imediato. – Como ela está? – a vontade de chorar já me invadia novamente.
- Nós acabamos a cirurgia. E correu tudo bem. Ela está em situação estável, e em coma induzido. Ela está sedada. Melanie está sendo monitorada de perto. E por um incrível milagre, também está tudo bem com o bebê. – o que ele disse? Bebê?
- Bebê? Como assim? – a mãe de Mel perguntou confusa. Eu estava sem condições de falar algo.
- Melanie está grávida de dois meses. Vocês não sabiam? – o médico perguntou.
- Não e acho que nem ela sabia. – a mãe dela falou.
- Mas ela está, e está tudo bem com o bebê. Eles tiveram sorte. Com o impacto da batida não era nem para ela ter sobrevivido, muito menos o bebê. – ele falou calmamente. – O importante é que eles estão bem agora.
Eu caí sentado no sofá. Mel estava grávida. Eu ia ser pai. Chorei novamente.








Capítulo 74

Chay narrando

O que estava acontecendo? Como a Angelina veio parar aqui na minha cama? Como? Eu não estava entendendo absolutamente nada. Minha cabeça doía demais, eu estava meio zonzo, parecia que estava bêbado.
E o pior de tudo, Mel esteve aqui e viu tudo isso! Eu não conseguia entender. Angelina ainda estava deitada na minha cama, parecia estar se divertindo com a situação. Terminei de me vestir.
- O que você está fazendo aqui? – gritei com ela.
- Calma amorzinho. Vim só fazer uma visitinha. Eu estava com saudades. – ela falou cinicamente. Minha vontade era de bater nela. Mas me segurei, isso daria um problema enorme, e eu já estava cheio deles. Não precisava de mais um.
- Angelina, eu estou com a Mel, eu te falei isso! Há muito tempo já não rolava nada entre nós dois! Por que você insiste nisso? – eu gritava com ela.
- Porque eu te amo Chay, eu te amo! Eu fiz isso porque quero você pra mim! – ela falou.
- Mas eu não te amo, nunca te amei! Eu sempre deixei bem claro isso pra você!
- Mas se essa Mel não tivesse aparecido a gente estaria junto, eu tenho certeza! Você gosta de mim Chay, só não quer admitir!  - ela disse.
- Põe a sua roupa e desaparece, some, eu estou com nojo de você! Como pôde ser tão baixa e armar tudo isso? Eu não achava que você fosse desse tipo! Você acabou com a minha vida! Olha só o que você fez! Por sua causa eu perdi o amor da minha vida! – eu estava chorando.
- Amor da sua vida Chay? Não exagera! – ela falou debochando.
- O amor da minha vida sim! O que eu sinto pela Mel eu nunca senti por ninguém, ninguém. Nenhuma mulher mexeu comigo da forma que ela faz, ela é tudo pra mim! – fui para o banheiro e molhei o meu rosto. A água se misturou com as lagrimas. – Some Angelina, vai embora!

Ela começou a juntas as suas coisas em silencio. Eu estava com ódio dela, eu não sabia dizer do que seria capaz de fazer se eu perdesse a Mel. Eu nunca seria capaz de traí-la. Eu nunca magoaria o meu amor.
Angelina terminou de pegar as suas coisas e foi embora. Eu peguei o meu carro e saí dirigindo em alta velocidade. Eu precisava encontrar Mel. Pra casa eu tinha certeza que ela não iria, nem para a casa de seus pais. Eu ligava para o seu celular, mas ninguém atendia. Ela estava me ignorando, não iria me atender. Eu entendia o seu lado. O que mais ela pensaria vendo tudo que viu? A Angelina conseguiu armar a cena perfeita. Articulou tudo e quem não acreditaria vendo a cena?
Eu teria que arrumar um jeito de fazer Mel acreditar em mim, acreditar que aquilo fora uma armação. Nem que eu tivesse que obrigar a Angelina a contar todo o seu plano.

Dirigia para a praia que eu havia mostrado a Mel, naquela noite perfeita. Eu podia ter quase certeza de que ela estaria lá. Aquele seria o lugar para onde eu também fugiria. Havia uma movimentação estranha na pista que seguia pra lá.
Ambulância, polícia, várias pessoas paradas, rodeando algo. Meu coração gelou no mesmo instante. Eu parei o carro e desci. A primeira coisa que eu vi foi um carro amassado, quase todo destruído.
Parei ao lado de um senhor.
- O que houve aqui? – perguntei.
- Um caminhão bateu no carro. A moça ainda está lá dentro. – quando ele disse “moça” meu coração pulou. O carro estava feio de se ver. O motorista do caminhão estava com um ferimento na cabeça, mas estava de pé e também acompanhava o resgate. Eu tentava achar a placa do carro, para saber se eu conhecia, mas ela estava destruída. A cada minuto que passava meu coração ficava mais apertado.
Assim que eles conseguiram tirar a pessoa do carro, foi que eu vi. O cabelo preto que eu conhecia, a roupa, mesmo ensanguentada eu reconheci. Era a Mel. Meu mundo caiu naquele momento. As lagrimas voltaram a rolar por meu rosto.
- Mel! – eu gritei. Os olhares se voltaram para mim. Eu estava completamente desesperado. Eu passava pelas pessoas até que cheguei perto da maca onde estava Mel. Ela estava ensanguentada. Uma cena terrível de se ver. Eu tive vontade de morrer. Eu queria trocar de lugar com ela. Preferia estar eu ali. Me sentia extremamente culpado por esse acidente.
- Você conhece essa moça? – um dos bombeiros perguntou.
- Sim, ela é minha namorada! – eu falava alto e nervoso. Eu não conseguia parar de chorar.
- Se acalme senhor. – pediu calmamente o homem.
- Como você me pede pra ficar calmo? É impossível! – eu sentia meu coração se partindo em milhões de pedaços. Eu queria abraçá-la, cuidar dela. Eu me sentia muito mal.
Eu fui na ambulância com Mel. Ela estava desacordada, e tinha dificuldade para respirar, então colocaram uma mascara de oxigênio.
Eu segurava a mão de Mel com força e chorava. Eu rezava, orava, usava toda a fé que tinha naquele momento. Eu pedia a Deus para não levar a mulher de minha vida. Eu morreria sem ela ao meu lado. 





terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Capítulo 73

Mel narrando

Chay havia ido para sua casa, eu iria até lá mais tarde. Apesar de eu ter acreditado nele, eu sentia que algo estava errado. Uma sensação ruim estava me cercando, não sabia o que era e não queria sentir aquilo.
Eu estava um pouco estranha e senti que Chay havia percebido isso. Ele sempre percebia quando havia algo de errado, apesar de eu não demonstrar tanto. Mas eu repeti a ele por varias vezes que havia acreditado no que ele disse… a mensagem não tinha o nome de ninguém, ele nem tinha aquele numero registrado no celular. Deve ter sido engano, era a solução que eu via para isso.
Passei o dia pensativa, eu só pensava nisso, apesar de não querer. Eu tentava afastar esse pensamento, mas não conseguia. Eu ficava procurando soluções para isso, apesar de achar que havia sido mesmo engano.

Quando anoiteceu levei Marina para a casa de meus pais, eu queria ficar a sós com Chay, acho que nós deveríamos conversar, precisávamos na verdade ter uma conversa, ficar a sós com ele um pouco. Minha cabeça já estava ficando confusa, eu não queria mais pensar. Cheguei até a questionar se eu acreditava mesmo nele. Eu não queria que isso passasse por minha mente, porque eu devia acreditar nele, eu confiava nele e ele em mim. Não podia achar que havia algo por trás disso tudo… se eu pensasse mais um pouco enlouqueceria.


Chegando a casa de meus pais, Arthur e Lua também estavam por lá. Marina assim que viu o tio saiu correndo e pulou em seu colo. Eu entrei falei com meu pai e minha mãe, Thur e  Lua.
- Mel, aconteceu alguma coisa? – Lua falou assim que me viu.
- Não, não aconteceu nada. – menti. Eu não queria falar sobre isso com ela, não agora. Antes eu teria que conversar com Chay.
- Tem certeza? – ela perguntou com aquela cara de “não acredito em você”.
- Tenho sim Lu, tá tudo bem. – falei. Ela continuou a me olhar daquela forma.
- Tudo bem, você não quer falar, eu respeito. – ela disse por fim. Dei um sorriso sem graça.
- Filha, a mamãe volta mais tarde pra te pegar, está bem? – falei com Marina.
- Tudo bem mamãe. – dei um beijo na cabeça de minha filha, me despedi de todos e segui em direção a casa de Chay.


Cheguei ao apartamento dele e estava tudo muito quieto. Bati algumas vezes na porta, mas ninguém atendeu. Ele estava em casa, será que estava no banho? Eu queria que ele atendesse a porta e não que eu fosse entrando.
Depois de bater mais algumas vezes, resolvi usar a chave que ele havia me dado há um tempo.
Abri a porta da sala e encontrei sobre o sofá um prato e um copo sujo. Chay não costumava fazer isso, ele era bem organizado, apesar de ser um pouco bagunceiro, mas nunca deixava coisas sujas pela casa.
Eu estava achando tudo quieto demais, algo estava errado, muito errado. Fui até o quarto de Chay. Parei na porta, estática, eu não estava acreditando no que eu estava vendo. Eu estava tendo uma alucinação, aquilo não era real.
Involuntariamente lágrimas começaram a rolar por meu rosto. Eu cerrei meus punhos com força, minha bolsa caiu no chão. Chay estava deitado na cama com outra mulher. As roupas deles estavam jogadas pelo chão, indicando o que havia acontecido por lá.
Dei um grito, alto, muito alto. Até mesmo eu me assustei com a altura e força de minha voz. A mulher se levantou da cama, assustada, cobrindo o corpo com o lençol. Chay também se levantou, podia ver a expressão confusa em seu rosto. Ele estava um pouco meio perdido, olhou para o lado e para mim, parecendo não entender o que estava acontecendo.
- O que aconteceu? – ele perguntou, parecia grogue. Eu só chorava, meu rosto estava completamente molhado. Minha vontade era de espancar aquela mulher, e Chay também!
- Como você pôde fazer isso comigo, Chay? Como? – eu estava gritando e as lagrimas não cessavam nem um minuto.
- Eu não fiz nada! Como você veio parar aqui Angelina? – então esse era o nome dessa vagabunda? A mulher não respondeu nada. Parecia se divertir com o que estava acontecendo.
- Você me traiu! Foi ela quem te mandou a mensagem mais cedo, não foi? E você se fazendo de desentendido. E a idiota aqui acreditou em você! Como eu pude ser tão burra? – eu ainda gritava.
Chay se levantou da cama e vinha em minha direção. Eu coloquei a minha mão na frente, queria manter a distancia dele, não queria tocá-lo.
- Não chega perto de mim! – gritei. – Eu não quero mais nada com você. Acabou Chay, acabou tudo!
Peguei minha bolsa do chão, e fui saindo da casa dele. Chay começou a se vestir, e vinha atrás de mim.
- Não faz isso Mel! Eu não fiz nada, eu não te traí! Por favor, acredita em mim Mel, eu te amo! – eu olhei para Chay, ele também estava chorando. Apesar de tudo, meu coração doeu ao ver as lagrimas em seu rosto. Eu não suportava vê-lo assim. Mas eu tive que ser forte, eu não cederia. Ele havia me traído! E traição eu não suporto!
Eu saí do apartamento dele, ainda estava chorando. Eu queria sumir, eu queria ficar sozinha, eu queria pensar. Eu queria tantas coisas ao mesmo tempo. Minha cabeça era um misto de decepção, revolta, raiva! Eu nunca poderia imaginar que ele fosse fazer isso comigo.
Dirigia em alta velocidade, eu não estava situada, nem sabia onde estava. Eu dirigia, mas estava fora de mim. Meu celular começou a tocar, olhei para ele e no visor aparecia o nome de Chay, eu não atenderia, não atenderia nunca mais suas ligações. Tinha acabado, e isso partia meu coração em pedaços.
Com a vista toda embaçada pelas lagrimas, parei o carro em uma estrada, eu não conseguia saber onde estava, estava sem movimento. Fechei meus olhos para tentar parar de chorar, mas era impossível, as lagrimas rolavam involuntariamente.
Ouvi ao longe o som de uma buzina, mas permaneci com os olhos fechados. Quando abri, a única coisa que consegui ver foi um clarão. Então tudo ficou preto.




Capítulo 72

Chay narrando

Quase tive uma briga com Mel hoje… De onde veio aquela mensagem? A única pessoa que vinha a minha mente, a única pessoa que poderia ter feito isso era a Angelina… mas eu já havia pedido para ela ficar longe de mim, eu havia contado para ela que estava com a Mel, ela sabe. Por que faria isso?
Depois do ocorrido, Mel disse que havia acredito em mim, mas eu sentia que ela estava estranha, não comigo, mas ela estava diferente… ela ficou quieta e pensativa demais, não gostava de vê-la assim.
Mais tarde fui para minha casa, o combinado era Mel vir até minha casa, ela dormiria aqui hoje. Deixaria Marina com os pais e depois viria para cá. Eu precisava de um tempo a sós com ela, nós estávamos precisando um pouco disso, ainda mais depois do que aconteceu.
Minha mente estava atordoada, eu pensava em mil coisas diferentes, eu não queria perder a Mel, será que ela havia mesmo acreditado em mim? Eu torcia para isso, mas eu não podia ter certeza… Mel era enigmática, ela não entregava o jogo fácil, os sentimentos, o que pensava.
Em casa me joguei no sofá da sala e fiquei lá um bom tempo, eu não conseguia parar de pensar… eu achava que era a Angelina quem enviou a mensagem, mas eu não podia acusa-la sem provas, ela nem tinha o meu novo numero…
Fui até a cozinha e preparei algo para comer, fiz um sanduiche, peguei um copo de suco e comi. Mel não saía de meus pensamentos um só minuto. Assim que acabei de comer, me senti um pouco zonzo… uma dor de cabeça forte, eu parecia estar com sono. Bocejava muito, comecei a enxergar as coisas muito mal, vista embaçada e completamente tonto. O que havia de errado?
Subi para o meu quarto e me joguei na cama, do jeito que eu estava. Meu corpo estava pesado, minha cabeça também. Parecia que eu havia levado uma surra. Coisa estranha. Minhas pálpebras começaram a pesar, meus olhos se fecharam involuntariamente.


Angelina narrando

Já era noite. Chay há essa hora com certeza já estaria apagado em sua casa. Eu torcia para meu plano estar seguindo exatamente como eu havia planejado. Fui até sua casa e vi seu carro na garagem. A luz do quarto estava apagada, com certeza ele estava dormindo. Subi para sua casa e com a copia da chave abri a porta.
Estava tudo quieto, parecia até que não tinha ninguém em casa. Fui para o quarto de Chay e o encontrei lá, na cama. Ele estava todo largado, e dormindo profundamente. Ótimo, era assim que tinha mesmo que ser.
Comecei a botar meu plano em ação novamente. Tirei as roupas de Chay, e com muito esforço, o ajeitei na cama. Depois tirei as minhas roupas, cenário perfeito. Mel chegaria e nos veria juntos, agarrados. Depois disso eu tinha certeza de que o namoro dos dois acabaria no mesmo instante… Chay seria meu novamente, custasse o custar. Meu plano era perfeito e funcionaria, disso eu não tinha duvidas… agora era só esperar a tonta da namorada dele chegar.




segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Capítulo 71

Mel narrando

Assim que terminamos o café, eu fui tomar um banho, logo depois Marina e por ultimo Chay. O dia estava lindo, o sol no céu brilhava, estava calor. Comecei a arrumar um pouco a casa, lavei a louça do café, arrumei o meu quarto, e Marina arrumou o seu.
Chay ainda estava no banho, eu ouvia a sua voz cantarolando no chuveiro. Eu gostava de ouvi-lo cantar, sua voz me acalmava e confortava o meu coração. Eu continuava a arrumar o quarto ao som de sua voz.
O celular de Chay apitou, indicando que havia uma nova mensagem. Eu não o peguei no primeiro momento, não gostava de invadir a sua privacidade… mas a minha curiosidade falou mais alto. Na tela aparecia somente um numero, não havia o nome registrado no celular. Abri a mensagem que dizia:
“Estou com saudades.”
Meu coração gelou ao ler isso. Quem mandou isso para Chay? Quem estava com saudades dele? Não poderia ser a sua irmã, muito menos a sua mãe. Fiquei furiosa. Meu sangue ferveu. Eu segurava o celular de Chay com força e andava de um lado para o outro no quarto.
Chay saiu do banheiro com uma toalha enrolada na cintura, passando a mão no cabelo molhado.
- O que foi? – ele me olhou preocupado. Ele percebeu minha expressão furiosa.
- O que é isso aqui Chay? – perguntei e entreguei o celular em suas mãos. Ele leu a mensagem e uma expressão de confusão surgiu em seu rosto.
- O que é isso? – ele perguntou.
- Também quero saber, quem te mandou isso Chay? – eu estava completamente estressada e com raiva.
- Eu não sei! Eu não faço ideia de quem pode ter mandado isso! – ele falou. Sua voz passava sinceridade, mas eu estava furiosa demais para pensar.
- Ah, você não sabe? – perguntei ironicamente. Ele tava querendo me fazer de boba?
- Eu não sei Melanie! Por favor, acredita em mim! – ele falou. Eu fiquei olhando para ele. O seu olhar passava verdade, ele demonstrava estar tão surpreso quanto eu. Ele se aproximou de mim e passou a mão em meu rosto. Eu queria acreditar nele e eu devia, mas algo estava errado. Eu sentia que algo aconteceria. Tentei afastar essa sensação e o abracei. Ele estava um pouco tenso, mas assim que o apertei mais ele relaxou.
- Eu acredito. – falei por fim. Eu acreditava mesmo nele, mas a sensação ruim que tentava afastar continuava.
- Que bom meu amor, eu não quero que você brigue comigo, eu não quero te perder. Nunca. – ele me abraçou com mais força e eu retribui o abraço.

Angelina narrando

Meu plano já estava entrando em ação. A essa altura Mel com certeza já teria visto a minha mensagem no celular de Chay, e com certeza eles tiveram uma briga. Mas eu sabia que isso não seria suficiente para separar o casalzinho… eu tinha bolado algo muito maior e melhor que com certeza teria efeito e esses dois não ficariam juntos nunca mais…
Em uma das saídas de Chay do consultório para almoçar com Micael, eu havia entrado em sua sala e pego a chave de sua casa para fazer uma cópia. E depois a coloquei de volta no mesmo lugar.
Meu plano era simples, eu ia armar um flagra, a Mel tinha que pegar o Chay junto comigo, mas isso não seria tão fácil assim.
No mesmo dia em que mandei a mensagem para o celular de Chay, fui até a sua casa e coloquei uma substância em tudo que ele podia beber na casa, na água, no suco… era uma substância sonífera, que deixa a pessoa um pouco fora de si, zonza. Isso seria perfeito para fazer o meu plano funcionar.





domingo, 26 de janeiro de 2014

Capítulo 70

Mel narrando


Acordei cedo no sábado. Não sei bem o porquê, nunca sou de acordar cedo, mas despertei. Olhei para o lado e Chay ainda estava dormindo. Ele estava com uma expressão serena no rosto, de vez em quanto seus lábios se repuxavam em um leve sorriso. Fiquei por algum tempo o admirando, era bom, nem via os minutos passarem.
Olhei para a porta do quarto e lá estava Marina nos olhando e em silencio. Ela estava com um boneca de pano nas mãos. Chamei-a com o dedo e ela veio vagarosamente até mim, sem fazer barulho, quase na ponta dos pés. Ela subiu na cama, ainda sem fazer barulho e sentou-se ao meu lado. Dei um beijo em sua bochecha e depois fizemos nosso tradicional beijinho de esquimó.
- Ele não vai acordar mamãe? – Marina perguntou sussurrando.
- Acho que agora não. Ele deve estar cansado. – respondi também sussurrando. Ela passou os dedos levemente pelo rosto dele e sorriu. Os lábios de Chay também se repuxaram em um sorriso, parecia que ele havia sentindo o seu carinho.
- Mamãe, vamos preparar o café da manhã. Papai vai acordar com fome. – ela falou para mim. Peguei a mão de Marina e fomos para a cozinha juntas.

Marina começou a pegar as coisas para preparar o suco. Ela sempre fazia, gostava muito. O dela ficava até melhor que o meu, eu realmente não levava jeito para a cozinha.
- O que você quer comer filha? – perguntei a ela. Marina fez uma cara pensativa.
- Huum, eu quero panquecas! – ela exclamou.
- Panquecas filha? Mas eu não sei fazer isso. – falei. – Não pode ser algo mais fácil?
- Mas eu sei mãe, eu te ajudo. – ela falou parecendo gente grande.
- Ah é? Você me ajuda? – perguntei.
- Sim, eu aprendi com o papai. Eu vi ele fazendo e aprendi. – ela falou naturalmente. Marina começou a pegar os ingredientes para fazermos a tal panqueca.
Ela pegava cada ingrediente e colocava sobre a bancada. Eu apenas observava a minha menina. Uma coisinha tão frágil e já tão independente. Ela estava crescendo e isso me deixava um apertinho bobo no coração… não entendia o porque. Eu sempre via minha filha como um bebê, acho que talvez por todo o seu problema de saúde, eu era super protetora. Não queria nem pensar em ver Marina longe de meus olhos. Nós éramos muito apegadas uma na outra, nós passamos por muita coisa juntas e acima de tudo éramos amigas. Marina era a coisa mais preciosa da minha vida e eu queria poder cuidar dela pra sempre.
- Mamãe? – Mari balançava seus dedos em frente do meus olhos, chamando a minha atenção. – O que foi?
- Nada minha filha. – respondi. – Só estava pensando.
- Você pensa muito. – ela respondeu e eu ri. Fui até ela e dei um beijo estalado em sua bochecha e a apertei forte em meus braços. Eu adorava o cheirinho natural que minha filha tinha. Havia horas que eu nem acreditava que ela era mesmo minha. Ser mãe era um sonho apesar de tudo.
Comecei a preparar tudo, Marina me dava instruções de como fazer. Eu me sentia a criança e ela a mãe. Estava até divertido.
- Minhas meninas na cozinha, que coisa linda! – ouvi a voz de Chay e meu coração pulou.
- Ah não! – Marina falou.
- O que foi? – Chay perguntou sem entender. Ele veio até nós, deu um beijo no bochecha dela e colou os seus lábios nos meus.
- Você estragou a surpresa papai! – Marina falou.
- Surpresa? – ele perguntou.
- Sim, estávamos preparando o café da manhã pra você.  – contei. Ele sorriu com brilhinho nos olhos.
- Ah, que pena. – ele lamentou. – Mas agora posso ajudar vocês a terminar.
- Uma ajuda seria boa mesmo, eu to perdida aqui. – falei. – Apesar de todo o esforço da Mari eu realmente não consigo fazer panquecas. – Chay riu do que eu falei. Deu-me um beijo no pescoço e assumiu o fogão para terminar as panquecas. Ele e Marina se davam muito bem juntos na cozinha, era impressionante. Eu apenas fiquei observando os dois.
 Quando eles terminaram nós tomamos o nosso café.





(Estão gostando da web? Ela já está quase no finalzinho, o que vocês achariam de uma 2º temporada? Vocês leriam? Beijoos <3)




Capítulo 69

Mel narrando

Passamos a sexta em casa. Resolvemos não sair, pois estava ficando frio e preferimos ficar em casa e fazermos algo por lá mesmo. Marina disse que queria comer lasanha e Chay logo atendeu o seu pedido.
Fomos nós três para a cozinha, até eu que não levo jeito me aventurei a ajudar no preparo da comida. Foi uma bagunça só, deixamos aquela cozinha de pernas pro ar. Marina adorava mexer e ajudar no preparo das coisas, era algo que a deixava muito animada. Eu também me diverti muito fazendo aquilo. Era ótimo estar com a minha família, minha base, minha razão de viver. Hora ou outra eu roubava um beijo de Chay, o que fazia Marina dar altas gargalhadas. Eu também a beijava, apertando as suas bochechas e fazendo cócegas nela. Eu estava feliz, minha vida estava ótima e queria que aquilo durasse pra sempre. Eu não podia mais imaginar a minha vida de outra maneira, e também não conseguia mais me ver sem Chay ao meu lado, o meu porto seguro, a minha força.

Quando terminamos, colocamos a lasanha para assar. Depois arrumamos toda a cozinha, estava uma completa bagunça. Só de olhar me dava um desanimo e eu não queria arrumar aquilo. Mas enfrentei a preguiça e comecei a arrumar também. Marina era  ágil e arrumava tudo com perfeição, assim como Chay.

Depois que acabamos com aquilo fomos para a sala. Marina ligou a TV e sentou-se ao meu lado. Eu estava ao lado de Chay e repousava a minha cabeça em seu ombro. Senti sua mão acariciando o meu cabelo e dei um suspiro, adorava quando ele fazia isso. Ele beijou o topo de minha cabeça.
- Eu amo vocês. – ele disse. Ouvi o risinho de Marina. Ela passou por mim e foi até o colo dele. Deu um beijo no rosto de Chay, ele sorriu com seu ato.
- A gente também te ama papai, muito. – Marina falou. Chay beijou a cabeça de Mari. Com um braço em volta dela e outro em volta de mim.

Aconcheguei-me mais nele e inalei o seu cheiro, que era o meu preferido entre todos. Coloquei minha mão em seu peito e fechei os olhos. A imagem de uma família logo vinha a minha mente. Eu, Chay, Marina e havia mais alguém, mas era como se eu não pudesse ver. Um alguém a mais na família. Sorri.
Sentia o cheiro da lasanha vindo da cozinha. Era bom demais. Percebi que estava faminta e doida para comer. Queria saber se minha ajuda no preparo tinha dado certo ou completamente errado.
Chay tirou a lasanha do forno e nos serviu. Felizmente estava tudo uma delicia, eu não havia estragado tudo com a minha “ajuda”. Nós três comemos quase tudo, estávamos todos com fome mesmo. Depois de lavarmos a louça fomos para o meu quarto. Coloquei um dos filmes de Marina e assistimos juntos.

Ela logo adormeceu, com a cabeça pousada no ombro de Chay. Ele acariciava os seus cabelos, assim como faz comigo. Passado algum tempo, ele pegou Marina em seus braços, com muita delicadeza, eu dei um beijo em sua cabeça e ele a levou para seu quarto. Eu fiquei o esperando na cama, sabia que ele faria assim como eu.
Chay logo voltou para a cama. Deitou-se ao meu lado e puxou-me para ele, colando nossos corpos por completo. Eu sentia o calor de seu corpo passando para o meu, era uma sensação gostosa e reconfortante. Encaixei meu rosto em seu pescoço e fiquei ali, inalando o seu cheiro, o seu perfume inebriante. Ele estava com a cabeça pousada sobre a minha e fazia carinho com as mãos em minhas costas. Estávamos em silencio, palavras não eram necessárias naquele momento, estávamos nos curtindo. Eu podia ouvir as batidas de seu coração, elas batiam quase de acordo com as minhas. Logo adormecemos.





sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Capítulo 68

Mel narrando

Sexta-feira. Depois de um longo dia de trabalho, enfim estava em casa. Com minha filha e também com o meu amor. Nada melhor que isso. Logo que chegamos já mandei Marina para o banho, queria alguns minutinhos a sós com Chay. Eu estava morrendo de saudades dele, de tudo, de seu beijo, de seu toque, seu calor.
Fomos ao meu quarto e larguei minha bolsa em cima da cama. Chay logo envolveu seus braços em volta de mim, colando nossos corpos por completo. Sua boca foi de encontro a minha e selou um beijo ardente, caloroso, cheio de amor, desejo, saudade. Ele me segurava com força e minhas mãos instintivamente foram até seus cabelos, bagunçando-os por completo. Nos separávamos por alguns segundos para recuperarmos o ar, e logo nossas bocas já estavam tomadas por mais um beijo.

Já estava ficando com calor e infelizmente sabia que era hora de parar com aquilo por ali. Marina estava por perto, não poderíamos continuar com aquilo com uma criança junto. Separei-me relutante de Chay, não precisei dizer nada, ele sabia o motivo de eu ter interrompido o clima.
- Assim eu fico louco. – ele falou malicioso, sussurrando eu meu ouvido e deu uma mordiscada em minha orelha e depois um beijo em meu pescoço. Fiquei toda arrepiada com isso.
- Eu não queria parar… – falei com uma cara de carente, e ele sorriu e me roubou mais um beijo. Dessa vez eu mordisquei o seu lábio inferior.
Ouvi Marina desligar o chuveiro e comecei a pegar minha roupa para também tomar um banho, eu estava precisando mesmo de um e Chay também. Ele se sentou em minha cama e ficou me observando enquanto eu mexia em meu armário, procurando algo para vestir.
Foi quando a foto de Augusto caiu no chão. Agachei-me para pegar e colocar de volta onde estava.
- Quem é na foto? – Chay perguntou com o olhar curioso. Ele se levantou e veio até mim. Ele pegou a foto de minhas mãos e olhou mais uma vez. – Quem é Mel?
- É o Augusto, pai da Marina. – falei. Ele olhou mais uma vez pra foto e me entregou sem dizer nada.
Chay voltou para a cama onde estava e se sentou permanecendo em silencio. Ele tinha ficado com ciúmes? Será?
- O que foi amor? – perguntei indo até ele.
- Nada. – ele falou continuando serio.
- Nada? Até parece, eu te conheço, fala logo. – eu me sentei ao seu lado e fixei meu olhar em seu rosto.
- Eu fiquei com ciúmes, pronto falei. – ele falou e eu automaticamente ri. – Por que você está rindo?
- Ciúmes meu amor? Por quê? – perguntei.
- Porque você tem uma foto de outro cara guardada com você. – eu estava achando fofo seus ciúmes.
- Chay, meu amor, ele é o pai da minha filha, até pouco tempo atrás ele era a única coisa, além de minha filha que me incentiva a querer continuar a viver. Até você aparecer, eu te amo, não precisa ficar assim. Eu guardo essa foto pela Mari, e por mim também. Foi tirada uma semana antes do acidente. – falei. Ele me olhou sério e sorriu, sabia que tinha entendido. Abraçou-me de repente.
- Desculpa, desculpa. – ele falou por fim. – É que eu sinto muito ciúmes de você. – ele confessou.
- Não tem problema meu amor, eu também sinto ciúmes de você. – falei e ele sorriu. Dei um beijo nele.
- Ai que casal mais lindo! – paramos o beijo ao ouvirmos a voz de Marina. Ela estava parada na porta do quarto nos observando.
- Vem aqui com o papai. – Chay falou abrindo os braços. Marina veio correndo e pulou em seu colo. Ele começou a fazer cócegas nela. 
- Bom, agora eu vou tomar meu banho. – falei levantando-me da cama. Dei um beijo na cabeça de Marina e um nos lábios de Chay e fui para o banheiro.





Capítulo 67

Mel narrando

A semana passou incrivelmente rápido. Quando me dei conta já era sexta-feira de novo. E isso era muito bom. Significava que eu teria o fim de semana todo com o meu amor. Fui animada para o trabalho, já pensando na noite. Queria ver Chay logo.
Não nos vimos nenhuma vez essa semana, por conta de nossos trabalhos, a correria era grande. Eu estava morrendo de saudades dele, do sorriso, do cheiro, de seu toque, absolutamente de tudo.

Depois do expediente, arrumei e tranquei a minha sala. Estava doida para ir pra casa, tomar um banho e esperar até que Chay fosse lá pra casa. Despedi-me de Sophia e saí da clinica.
Assim que saí o vi. Achei que era uma miragem a primeira vista. Não era possível ele estar aqui agora, afinal ele só saía do trabalho mais tarde. Pisquei mais forte algumas vezes, mas ele estava mesmo ali.
Estava encostado em um carro, uma postura despreocupada e relaxada. Sorri. Ele me viu e também sorriu. Ele estava lindo ali, apenas parado observando o tempo. Ele se desencostou do carro e foi se aproximando de mim. Eu apressei o passo e fui até seu encontro. Quando estávamos perto o suficiente o abracei com força. Sentir seus braços fortes ao meu redor me dava segurança. Parecia que havia meses que eu não o via. Eu estava completamente dependente de sua presença.
- O que está fazendo aqui? – perguntei quando nos separamos.
 - Não gostou de me ver aqui? – ele perguntou.
- É claro que sim, eu amei. Só não esperava. – falei.
- Assim que é bom, surpresas. – ele falou com um sorriso nos lábios. Aproximei nossas bocas e dei um leve beijo em sua boca.
- Eu estava morrendo de saudades. – desabafei.  Não gosto de ficar longe de você assim por vários dias.
- Eu também estava com saudades meu amor, de sentir teu cheiro… – ele colocou o rosto no meu pescoço e inalou o meu cheiro. Senti minha pele toda arrepiada por conta disso.
- Vamos embora daqui. Vamos pra casa. – falei.
- Sim, vamos. Quero poder te beijar muito e aqui não é um lugar muito adequado pra isso. – olhei em volta do estacionamento e ri. Apesar de não haver ninguém ali, ele tinha razão. Dei mais um beijo nele e fomos para o meu carro.
Eu dirigia e quando tinha uma brecha desviava o meu olhar para ele. E corava ao perceber que ele também estava me olhando. Ele era tão lindo, eu não cansava de dizer e pensar nisso. Era tão bom saber que ele era meu, que ele me amava e que eu também o amava, eu tinha completa certeza disso.
Em um momento Chay passou os dedos pela minha face, com carinho. Ele tinha no rosto aquele sorriso que me fez ficar apaixonada. Eu me derreti com seu gesto e beijei os seus dedos. Estávamos parados no sinal. Ele se aproximou e deu um beijo em minha bochecha.
- Eu te amo. – ele sussurrou em meu ouvido e me roubou um beijo. – Pra sempre.
Eu não disse nada, apenas o beijei, com todo o meu amor, com todo o meu carinho, com tudo que eu sentia por ele. Não sei se aquilo seria pra sempre, mas eu queria que fosse, e se dependesse do nosso amor eu sei que seria.
Quando o sinal abriu, segui com o carro, fomos para a casa de Lua, buscar Marina. Ela também estava com saudades de Chay também, ela me dizia isso todos os dias que não o via. Afinal agora ela o considerava como o seu pai.

Descemos do carro em frente a casa de Lua, e logo ouvi a voz de Marina. Ela estava na varanda, brincando com algum jogo.
- Mamãe e papai! – Marina deu um grito assim que nos viu parados no portão. Ela veio correndo até nós, abriu o portão e nos puxou para um abraço triplo. – Eu estava com tanta saudade! – ela falou para Chay.
Chay a pegou no colo e a aninhou em seus braços. Deu um beijo no topo de sua cabeça e deu um abraço forte nela. O rostinho de Marina estampava felicidade.
- Eu também estava com saudades pequena, muita. – ele falou com ela.
Lua se aproximou de nós e eu troquei um olhar cúmplice com ela. Olhei discretamente para sua barriga, ainda não havia nenhum sinal de gravidez. A abracei com força.
- Tá tudo bem? – perguntei a ela.
- Está tudo ótimo. – ela falou sorrindo.
- Então, vamos Mari? – perguntei.
- Vamos. – ela deu um beijo e um abraço apertado na madrinha, pegou suas coisas e fomos para casa.